Terça, 07 de Setembro de 2010

Em Foco

Entrevista - 17/03/2010

Monotrilho já nasce morto

Ass. Imprensa - dep. Adriano Diogo

Em abril de 2009 o prefeito da Capital, Gilberto Kassab, anunciou a implantação de um monotrilho na extensão do Fura Fila, que vai ligar o Parque Dom Pedro II (região Central) à Cidade Tiradentes na zona leste da Cidade de São Paulo, que seria operado pelo Metrô, passando a obra para as mãos do governo Estadual. Na ocasião, o prefeito disse que repassaria para o novo Expresso Tiradentes o R$ 1 bilhão que prometeu investir no Metrô durante este mandato, que acaba em 2012.

O anunciou desapontou a população de Sapopemba, São Mateus e Cidade Tiradentes que esperavam o metrô; e causou polêmica entre empresas e sindicatos, que questionaram o edital de licitação junto ao TCE (Tribunal de Contas do Estado), que suspendeu a licitação aberta pelo Metrô para a construção do monotrilho.

Para falar sobre esse assunto convidamos o deputado estadual Adriano Diogo, que vem questionando o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, sobre os riscos deste projeto. 

O monotrilho é viável do ponto de vista técnico?

Há muitas dúvidas, uma vez que não foi feito nenhum estudo técnico e sócio ambiental. Por exemplo, as estações são muito vulneráveis a acidentes com as vias locais, já que em alguns locais os carros passarão muito perto das colunas em regiões que ocorrem enchentes. Não sabemos qual será o procedimento de evacuação em caso de parada entre estações. Na Europa, o monotrilho é fortemente evitado devido a problemas relacionados à falta de segurança, em relação à retirada de passageiros em caso de acidente e principalmente de incêndio. Não sabemos como esse tema está sendo conduzido junto aos órgãos competentes e ao Corpo de Bombeiros. O governo estadual e a prefeitura, responsáveis pela obra, não nos dão essas respostas. 

Outro fator importante no processo de decisão de implantação de um sistema de transporte é a relação custo de implantação versus demanda esperada. No caso do monotrilho que vai fazer a linha Centro-Cidade Tiradentes esta relação é compensatória?

Não. O custo do monotrilho é de R$ 100 milhões por quilômetro e foi anunciado um gasto de R$ 2,3 bilhões. O custo de uma linha metroviária é o dobro disso, mas em compensação ela tem uma capacidade quase três vezes maior. Enquanto o monotrilho transporta 450 mil pessoas por dia, o metrô transporta 1,2 milhão. Neste caso, o monotrilho já nasce morto, congestionado. O metrô é mais adequado às necessidades da região atendida, que agrega cerca de 1,5 milhão de pessoas.

Há acusações por parte de empresas do setor de dirigismo da licitação. Esta informação procede?

Está havendo sim um direcionamento para uma determinada empresa japonesa que visitou o Brasil em agosto de 2008. O monotrilho é uma aventura de Serra e Kassab que pegou a todos de surpresa. Nem os técnicos do Metrô esperavam por essa, pois não foi fruto de planejamento, não está no PPA 2008-2011 do Estado nem no Plano Diretor da Cidade. Agora eu que pergunto: porque exportar a tecnologia japonesa quando temos no Metrô técnicos de reconhecimento internacional? Nas obras da linha 4-Amarela, o governo do Estado decidiu excluir o corpo técnico do Metrô do processo. E o que aconteceu? Um desastre seguido de sete mortes na estação Pinheiros. Agora o que está por trás de tudo isso? A privatização do sistema de transporte, tão almejada por Serra.

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